Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, mostra que os repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, foram maiores e duraram mais tempo do que o candidato do PL à presidência Flávio Bolsonaro admitiu. A informação foi revelada nesta terça-feira (1) pela revista Piauí.
O documento identificou uma parcela adicional de 1,6 milhão de dólares enviada em setembro de 2025 ao Havengate Development Fund, o fundo nos Estados Unidos indicado por Flávio para financiar o filme Dark Horse. Com a nova transferência, o total sobe de 10,6 milhões para 12,2 milhões de dólares, mais de 65 milhões de reais na cotação da época. O valor contraria a versão dada por Flávio. Em entrevista à GloboNews em 14 de maio deste ano, ele afirmou que o último repasse de Vorcaro havia ocorrido em maio de 2025.
Mensagens trocadas por WhatsApp entre Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda, que ajudou a captar recursos para o filme, mostram Miranda perguntando em 22 de outubro se o banqueiro conseguiria liberar as parcelas pendentes. Vorcaro respondeu que havia liberado mais uma naquele dia. O valor não é detalhado nas mensagens. Menos de um mês depois, em 18 de novembro, Vorcaro foi preso pela primeira vez.
O relatório foi juntado ao inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal sobre o caso. Investigadores apuram se parte dos recursos do fundo foi usada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O fundo está registrado em nome de um advogado próximo a ele.
“Essas informações eu não tenho como saber porque eu não trato disso, gente. Tem que perguntar para a produtora, desculpa”, disse Flávio Bolsonaro ao ser questionado nesta terça.