A Polícia Federal cumpriu nesta sexta-feira (6) mandados de busca e apreensão em Macapá (AP) contra dirigentes da Amprev, a Amapá Previdência, responsáveis por um aporte de 400 milhões de recursos de aposentadoria de servidores públicos do estado no Banco Master em 2024. Segundo a investigação, as negociações para o investimento ocorreram sem o cumprimento de requisitos de transparência e análise de risco.
O principal alvo é Jocildo Silva Lemos, diretor da entidade, indicado ao cargo pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Lemos atuou na contabilidade da campanha de Alcolumbre em 2022. Ele é considerado um dos responsáveis pelo negócio.
A PF fez buscas em endereços de Jackson Rubens de Oliveira e José Milton Afonso Gonçalves, outros dois integrantes do comitê de investimento da Amprev, também responsáveis por autorizar o aporte no Master. As buscas foram autorizadas pela 4ª Vara de Justiça Federal.
A investigação busca identificar também se os suspeitos receberam propina para liberar o aporte sem cumprir uma série de determinações sobre análise de risco econômico. Quando a Amprev fez o investimento, em 2024, o Master já era considerado um banco com problemas. A Amprev é responsável por investidor dinheiro descontado dos salários de servidores públicos do Amapá para garantir o pagamento de aposentadorias no futuro. Seus diretores são escolhidos por indicações políticas.
A operação foi batizada de Zona Cinzenta é mais um desdobramento do caso Master nos estados. Na semana passada, foi a vez da Rioprevidência ser alvo da PF por aportes de cerca de 1 bilhão de reais no banco de Vorcaro. O ex-presidente da autarquia, Deivis Marcon, foi preso por obstrução de justiça.
O Bastidor tenta contato com a defesa dos alvos.