Vacinas: OMS resiste em aprovar Sputnik

Publicada em 01/04/2021 às 14:00
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Técnicos da Organização Mundial da Saúde estão cada vez mais céticos sobre a eficácia, a segurança e a qualidade da vacina Sputnik. O Instituto Gamaleya, responsável pela fabricação do imunizante russo, não apresenta dados mínimos para que os cientistas da OMS possam avaliar se o consórcio global Covax deve distribuir a vacina.

O crivo da OMS permitiria que o governo brasileiro importasse a Sputnik sem aval da Anvisa. No Brasil, ela é vendida pela União Química. A empresa já fechou contrato com o Ministério da Saúde e o Consórcio Nordeste. Mas não entregou à Anvisa os dados necessários para que a agência proceda à análise do imunizante.

Apesar do forte lobby da União Química, o impasse não deve acabar tão cedo. Sem dados, Anvisa, EMA (a agência europeia) e OMS não pretendem liberar a Sputnik. E o governo russo, por meio do Instituto Gamaleya, não declina as informações necessárias.

A OMS marcou para maio e junho inspeções nas instalações do Instituto. Isso dará mais tempo para que o governo russo providencie os dados faltantes - a maioria deles, segundo os técnicos.

Mesmo que os cientistas venham a aprovar a Sputnik, é improvável que isso ocorra antes de julho. Salvo uma malandragem sanitária ou uma mudança radical no comportamento dos russos, o Brasil, na melhor da hipóteses, só terá acesso a essa vacina no segundo semestre.