Senadores vão resistir a André Mendonça

Publicada em 06/07/2021 às 14:00
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

A indicação do advogado-geral da União, André Mendonça, ao Supremo Tribunal Federal terá resistência até de senadores aliados do presidente Jair Bolsonaro.

O senador Davi Alcolumbre, do DEM, é presidente da Comissão de Constituição e Justiça, tradicional aliado de Bolsonaro e muito próximo do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni. Se a indicação de Mendonça for formalizada, será sabatinado na CCJ.

Alcolumbre disse ao líder do governo no Senado, Fernando Bezerra, que não pretende marcar a data da sabatina imediatamente. Avisou, laconicamente, que não há previsão.  

No grupo de senadores oposicionistas e independentes, há articulação para obstruir a tramitação da indicação de Mendonça. Impasses como esse não são frequentes, mas já ocorreram.

Contrariados com a reprovação da compra da Garoto pela Nestlé, parlamentares do Espírito Santo decidiram, em 2004, retaliar a recondução do conselheiro Cleveland Prates Teixeira a um segundo mandato no Cade. A articulação dos capixabas liderada pelos senadores Magno Malta e Gerson Camata se ampliou e o nome de Teixeira ficou engavetado por meses até que o próprio candidato desistiu de um segundo mandato.  

Episódio mais famoso ocorreu com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama em 2016. Ele indicou Merrick Garland para a Suprema Corte, mas os parlamentares republicanos bloquearam os procedimentos para a aprovação até que Donald Trump venceu a eleição naquele ano e indicou Neil Gorsuch.

Mendonça vem se esforçando para convencer os senadores, mas se deparou com grande resistência ao seu nome.