Comandante viu risco de perder controle da tropa

Publicada em 07/06/2021 às 12:15
Foto: Fernando Donasci/Folhapress

A decisão do comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, de evitar punição ao general Eduardo Pazuello, também considerou a perda de controle da tropa se ela fosse revogada pelo presidente Jair Bolsonaro.  

O general Paulo Sérgio disse a interlocutores que eventuais atos de indisciplina vindo de oficiais de baixa patente poderiam surgir em solidariedade ao general Pazuello se fossem estimulados por alguma ação de desagravo de Bolsonaro.

Pazuello, general da ativa, participou de ato político no Rio com Bolsonaro em 23 de maio, o que é proibido pelo regulamento disciplinar do Exército.

O atual cenário de aguda instabilidade política marcou o dilema do comandante do Exército, pressionado entre o pedido de Bolsonaro para perdoar o ato de indisciplina de Pazuello e a irritação de alguns dos generais que integram o alto-comando.

Bolsonaro sempre atuou politicamente fomentando a indisciplina. Era considerado um mau militar pelos generais, como disseram em entrevistas o ex-presidente general Ernesto Geisel e o ex-ministro do Exército Leônidas Pires Gonçalves.

Desde o início do seu primeiro mandato como deputado federal em 1991, Bolsonaro procurou defender interesses corporativos de militares e policiais. Era da rotina dele frequentar formaturas de jovens oficiais. Essa base de eleitores fiéis manteve sua base política que o reelegeu por três décadas.