Análise: PSDB está em pane

Diego Escosteguy
Publicada em 12/02/2021 às 12:03
Foto: Folhapress

Os movimentos bruscos de João Doria, aliados à reação pública de Aécio Neves e à reação privada de Geraldo Alckmin, provocaram uma crise no PSDB mais profunda do que parece. O partido está em pane.

Doria acabou por expor um problema central e crônico entre os tucanos: não há união possível pela próxima candidatura presidencial; o PSDB está mais interessado em disputas de poder locais do que num projeto nacional. As aparências públicas dão a entender o contrário, mas o governador de São Paulo é minoria na legenda.

A executiva e os diretórios estaduais não estão necessariamente contra Doria. Mas pensam e trabalham, sobretudo, em função de seus interesses regionais. Conquistar a Presidência da República não é prioridade para a maioria.

Áecio, Alckmin e Bruno Araújo, entre outros, representam, hoje, essa busca pelo fortalecimento nos estados - o que conduz à aproximação envergonhada a Jair Bolsonaro e ao poder da Presidência.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, um quadro considerado promissor no partido, está sendo usado por essas forças para desgastar Doria e atrapalhar a candidatura dele.

Para viabilizar sua candidatura a presidente, ao menos pelo PSDB, Doria precisará manobrar como um tucano, coisa que nunca fez. Terá que ter paciência e ser diplomático. E o mais difícil: ir bem nas pesquisas ainda neste ano, de modo que seu nome torne-se incontestável.