Alguns petistas nadam contra a corrente

Publicada em 06/04/2021 às 17:58
Foto: Zanone Fraissat/Folhapress

O medo de alguns petistas em ver o STF derrubar a decisão que anulou as condenações de Lula na Lava Jato tem dado força ao movimento para que o partido não tenha candidato a presidente na eleição do ano que vem. Essa estratégia admite Lula candidato a vice em uma chapa ampla que agregasse o maior espectro político possível contra a reeleição de Jair Bolsonaro. 

O plenário do STF vai julgar na semana que vem se mantém ou derruba a decisão do ministro Edson Fachin que anulou as condenações de Lula na Lava-Jato.

Independentemente de pesquisas de opinião, alguns políticos em vários partidos enxergam a derrota de Bolsonaro como prioridade absoluta para defender a democracia, mas essa meta impõe uma grande mudança de atitude.

É muito pouco provável que um candidato líder nas pesquisas deixe de usar seu capital político. É a situação atual de Lula, mas o dilema não está só no PT. O deputado Marcelo Freixo enfrenta no PSOL resistência à sua ideia de construir uma candidatura ampla o suficiente para derrotar Bolsonaro. Isso significa que os partidos de esquerda têm de se aproximar do centro.   

Ciro Gomes é outro pré-candidato que vem mantendo seu discurso anti-Bolsonaro, mas, ao mesmo tempo, anti-Lula. Na segunda-feira, ele sugeriu que Lula siga o exemplo de Cristina Kirchner na Argentina. A ex-presidente foi eleita vice-presidente na chapa encabeçada por Alberto Fernández e evitou a reeleição de Mauricio Macri.