Há interlocução entre Bolsonaro e STF

Arnaldo Galvão
Publicada em 06/07/2021 às 06:00
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Jair Bolsonaro é o presidente que tem a pior relação com o Supremo Tribunal Federal, mas há canais de comunicação abertos com os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Ultimamente, as conversas tratam da indicação para a vaga de Marco Aurélio Mello que deixa a corte em 12 de julho.  

O STF está em recesso e o Senado deve paralisar suas atividades em julho. Espera-se que Bolsonaro mande sua indicação para a vaga de Marco Aurélio Mello no início de agosto. O ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, André Mendonça, é o que tem recebido sinais de favoritismo.

Os observadores mais experientes afirmam que os senadores dificilmente rejeitarão um nome indicado formalmente por um presidente, apesar do crescente desgaste de Bolsonaro na CPI da Pandemia.

Recentemente, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Luís Felipe Salomão, deu prazo de 15 dias para Bolsonaro apontar as supostas fraudes que teria impedido sua vitória no primeiro turno em 2018.

A agressividade política marca a relação que o presidente da República tem com a suprema corte. Em 1º de julho, o ministro Alexandre de Moraes mandou abrir inquérito para investigar uma organização criminosa que atenta contra a democracia e o Estado de Direito. Segundo Moraes, material apreendido revela atuação digital e com núcleos de produção, publicação, financiamento e político, semelhantes aos identificados no inquérito das fake news.

O procurador-geral da República Augusto Aras, o presidente do Superior Tribunal de Justiça Humberto Martins e o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Luís Felipe Salomão, têm seus nomes citados nas especulações que apostam contra o ministro-chefe da AGU, mas ninguém descarta uma surpresa que repetiria o desfecho da indicação de Kássio Nunes Marques.  

O presidente do STF, ministro Luiz Fux, gostaria de ver Salomão indicado, mas não trabalha pela escolha. Há um contraste no estilo de Fux conduzir a presidência do Supremo porque Toffoli procurou ocupar um espaço político com jantares, reuniões e contatos diretos com personagens da vida política de Brasília. Fux mantém distância da política.