Bolsonaro deve reconduzir Aras à PGR

Diego Escosteguy
Publicada em 17/04/2021 às 16:34
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

O presidente Jair Bolsonaro decidiu reconduzir Augusto Aras a um segundo mandato à frente da Procuradoria-Geral da República. O subprocurador concorria à vaga no Supremo que será aberta com a aposentadoria do Ministro Marco Aurélio Mello, em julho.

Havia dúvida quanto à permanência de Aras no cargo por mais dois anos. O PGR detinha a expectativa de ter o nome considerado a sério ao Supremo - o que, todos os envolvidos concordam, não ocorreu.

Perante o presidente e sua família, Aras também enfrentava - e enfrenta - a concorrência da subprocuradora Lindôra Araújo. Ela é próxima de Flávio Bolsonaro e comanda boa parte das investigações criminais nos tribunais superiores.

Alguns dos principais conselheiros do presidente queriam que Lindôra ascendesse à procuradora-Geral da República em setembro. Avaliam que ela poderia ser mais leal a Bolsonaro, seja no ataque, seja na defesa. Consideram que Aras é demasiadamente conciliador. Preferem que ele venha a ocupar uma vaga no STJ, embora seja altamente improvável que o atual PGR queira ou consiga integrar uma lista sêxtupla. (Aras já tentou ingressar no STJ.)

No plano de poder da família Bolsonaro, prevalece, por ora, a estratégia de manter Aras por mais dois anos na PGR. Lindôra seria a sucessora dele - o que dependeria, por definição, da reeleição do presidente. A Aras, cedo ou tarde, seria prometida mais uma vez a vaga no Supremo, embora alguns prefiram alocar o atual PGR no STJ. Desse modo, avaliam, ambos teriam motivos para ajudar o governo até 2022.

Salvo reviravolta nos próximos meses, portanto, a Procuradoria-Geral da República permanecerá, ao menos em tese, alinhada aos interesses estratégicos da família Bolsonaro.