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Max fez BO para assegurar acesso de parceiros a apartamento alugado por ele

Brenno Grillo
Publicada em 01/10/2021 às 06:00

Em 19 de agosto, Francisco Maximiano disse à CPI da Pandemia ser fiador de um apartamento em São Paulo. Mas após ser desmentido pela apresentação do contrato de locação, o dono da Precisa Medicamentos se retratou - para evitar ser preso - e assumiu ser um dos locatários, mesmo dizendo não morar no imóvel. 

Dois anos atrás, uma das advogadas do sócio da Global Gestão em Saúde fez um boletim de ocorrência para garantir a entrada no imóvel de Marcos Tolentino e Walter Potenza, suposto sócio oculto e diretor do FIB Bank, respectivamente. A polícia foi acionada porque Max estava impedido de entrar no apartamento.

O motivo da proibição foi uma dívida de R$ 94 mil em aluguéis da cobertura que alugou com Danilo Trento, lobista da Precisa, e a ex-miss Brasil Marthina Brandt (2015) no bairro do Campo Belo.

A advogada Yolanda Costa diz no boletim de ocorrência que a proibição imposta pelos locadores da cobertura - que custava R$ 22,3 mil mensais, com IPTU - colidia com o "interesse" dos locatários. Segundo ela, os três queriam que "pessoas autorizadas por eles" pudessem entrar no apartamento, "principalmente: Marcos Tolentino da Silva e Wagner Amilca Potenza".

A PF suspeita que Max, Trento e Tolentino atuavam ao lado de agentes públicos para obter contratos como a da Covaxin. O apartamento em São Paulo é um dos elos entre eles.

A urgência para que Tolentino e Potenza pudessem entrar no imóvel era tamanha que o escritório do suposto sócio oculto do FIB Bank, o Benetti Associados, representou os três locatários inadimplentes na ação de despejo que tramitou na Justiça de São Paulo. Além de Yolanda, Rosana Mariano também trabalhou para Max, Trento e Brandt.

Ambas negociaram o acordo para quitar os aluguéis atrasados em quatro parcelas de pouco mais de R$ 20 mil, a serem pagas de novembro de 2018 até fevereiro de 2019. Os débitos, inclusive, foram feitos via Benetti Associados, como mostram os comprovantes anexados ao processo. O apartamento foi entregue sem um controle remoto televisivo e com a TV e a pia do banheiro danificadas.