Análise: depoimento fraco de Max indica fim da CPI

Diego Escosteguy
Publicada em 19/08/2021 às 18:19
Foto: Fotoarena/Folhapress

Surpresa não houve, mas o depoimento sonolento do lobista Francisco Emerson Maximiano, o Max, demonstra que a CPI da Pandemia arrasta-se melancolicamente para um fim chocho. Ouvir o poderoso Max, que logrou escapar da comissão na fervura do primeiro semestre, poderia ser o ápice dos trabalhos. Reduziu-se a uma tarefa tediosa, à qual parte dos senadores entregou-se com o empenho típico de uma quinta à tarde em Brasília.

O personagem central do caso Covaxin, que poderia conduzir à CPI aos negócios do centrão na área da Saúde, fez o que se esperava dele: ficou em silêncio diante da maioria das perguntas. Tinha um HC para ajudá-lo. Mas, salvo em poucos momentos, os senadores não o incomodaram com a firmeza que as evidências permitiam - e a gravidade do caso exigia.

Todos sabiam que o depoimento acabaria no meio da tarde, quando começassem os trabalhos no plenário do Senado. Ainda assim, a sessão começou com enorme atraso e o intervalo para o almoço foi atipicamente longo. O depoimento durou pouco e foi conduzido aos soluços.

Houve empenho dos senadores Randolfe Rodrigues, Alessandro Vieira e Simone Tebet. Mas a maioria dos colegas deles não pareciam tão interessados em pressionar, de modo legítimo, o investigado, apesar da montanha de evidências que pesam contra ele e o agora infame contrato de US$ 300 milhões da Precisa com o Ministério da Saúde.

Embora pouco tenha acrescentado, Max chegou a falar em alguns momentos. Quando falou, demonstrou ser uma testemunha vulnerável, que poderia oferecer mais, caso suas fragilidades tivessem sido exploradas com afinco e inteligência.

Ele, por exemplo, mentiu - e depois se retratou - sobre um fato de simples comprovação: ser locatário de um apartamento em São Paulo, ao lado de Danilo Trento, outra figura que poderia alçar a CPI a outro patamar. Hesitou quando confrontado com sua proximidade com Flávio Bolsonaro e Ricardo Barros.

Os titubeios, contudo, morriam sem que houvesse insistência para que ele respondesse às dúvidas proliferadas a cada silêncio - das dezenas de operações recentes com indícios de lavagem de dinheiro, passando pela evolução patrimonial inexplicável e chegando às negociações políticas para vender a Covaxin ao governo.

CPIs, nas raras ocasiões em que vingam, mas vingam mesmo, viram bichos políticos imprevisíveis e indóceis, que mordem forte antes de aquietar. A CPI da Pandemia vingou. Mordeu bastante no primeiro semestre. Mas, a um mês do fim, parece ter aquietado - ou sido aquietada.