Investidores querem choque de gestão na BRF

Publicada em 27/04/2021 às 06:00
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

O desempenho da BRF vem decepcionando investidores relevantes da companhia. Eles já não escondem a insatisfação com o comando da empresa e a perda de participação em mercados. Há críticas ao chairman, Pedro Parente. O ex-presidente da Petrobras é regiamente remunerado, mas dedica cada vez menos tempo à companhia.

Os críticos da gestão da empresa, dona das marcas Sadia e Perdigão, afirmam que os executivos da BRF escolhidos por Parente têm perfil financeiro e carecem de experiência no setor de alimentos. Para eles, só um choque de gestão pode ajudar a empresa neste momento. Querem uma ampla renovação no conselho e na diretoria.

A queda no valor da ação da BRF frustra os investidores porque a companhia foi ultrapassada pela concorrente JBS. Há o temor de que a Marfrig também alcance cotação maior que o da BRF. Segundo analistas de fundos de investimentos, a companhia paga remuneração muito alta para seus executivos - e deveria reduzir esse gasto em função do desempenho da empresa.

Segundo dados da B3, a ação da BRF chegou a R$ 70 em junho de 2015, mas está atualmente no patamar de R$ 23. A ação da JBS está em R$ 35 e a da Marfrig já passou de R$ 20.

Sobre as queixas de Parente não se dedicar à BRF, os investidores dizem que, provavelmente, se deve ao acúmulo de funções. Ele assumiu a presidência da EB Fibra e iniciou um road show para abrir o capital da empresa no próximo ano. Além disso, acumula os cargos de conselheiro na Pague Menos, na Syngenta e também é o chairman na Açu Petróleo e na BRF. Ainda é o coordenador do Comitê de Nomeação da Vale, criado para assessorar o Conselho de Administração.

A BRF não comentou o assunto até a publicação desta reportagem.