Especialistas esperam revolução no mercado dos bancos

Arnaldo Galvão
Publicada em 26/04/2021 às 16:14
Foto: A7 Press/Folhapress

Dois especialistas em defesa da concorrência afirmam que as mudanças conduzidas pelo Banco Central por meio da plataforma PIX vão beneficiar os consumidores de serviços que pagam tarifas mais altas para manter uma conta corrente. Em um segundo momento, a evolução do sistema financeiro aberto, chamado open banking, poderá baratear o crédito.

“É revolucionário o que está ocorrendo no mercado financeiro brasileiro. Não me parece que o BC está contra os grandes bancos, mas está claramente a favor dos consumidores, que são os donos dos seus dados. Banco deixou de ser uma agência, é o celular e isso muda tudo rapidamente”, diz o advogado e professor de direito na FGV Rio Carlos Ragazzo.

O economista e professor da FGV em São Paulo Arthur Barrionuevo Filho diz que as plataformas digitais são disruptivas em todos os segmentos. “A concorrência aumenta mais na oferta de produtos mais influenciados pelo peso da tarifa bancária. Aparentemente, os clientes premium dos grandes bancos não são o alvo dessas primeiras funcionalidades do PIX”, diz.

Para Ragazzo, as mudanças feitas pelo BC por meio da plataforma PIX visam ao mercado de pagamentos - e não à conta corrente, onde as tarifas são maiores. “Em um primeiro momento a plataforma PIX ataca mais DOC e TED e menos os cartões que vêm funcionando bem no varejo. O open banking, mais lentamente, vai estimular a concorrência no mercado de crédito”, afirma.

O professor de direito na FGV Rio acredita que o open banking vai levar menores taxas aos que precisam de crédito, repetindo o efeito das plataformas de investimento. Elas cresceram bastante oferecendo produtos de terceiros. “É um processo que reduz a força do conglomerado financeiro”, diz Ragazzo.

Barrionuevo prevê que as fintechs ocuparão mais espaço no Brasil porque têm estrutura mais leve e identificam mais rapidamente os riscos nas operações de crédito. Ele informa que, nos países da OCDE, as fintechs foram complementares aos bancos no mercado de crédito, mas, no Brasil, a substituição pode ser maior.

Segundo o BC, o open banking é a possibilidade de clientes permitirem o compartilhamento de suas informações entre diferentes instituições financeiras e a movimentação de suas contas bancárias a partir de diferentes plataformas e não apenas pelo aplicativo ou site do banco.