Compromisso ambiental da China com os EUA pode beneficiar mercado de carbono do Brasil

Brenno Grillo
Publicada em 13/11/2021 às 06:00
Foto: Lalo de Almeida/Folhapress

A COP26 tem sido confusa para o Brasil. O governo fez promessas consideradas ousadas e irreais que deixaram o agronegócio um pouco perdido sobre qual rumo tomar. Muitos defenderam que o Brasil não precisa aumentar suas metas de redução, mas regulamentar seu mercado ambiental e começar a lucrar com isso.

A China, que tem perto de 700 fundos de investimento "verdes" (por causa da preocupação com a preservação), está de olho nessa perspectiva por investimentos. A promessa de parceria com os EUA para manter a temperatura global em até 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais e o compromisso do país em zerar até 2060 a emissão líquida de gases que causam efeito estufa vão além do que o país pode fazer internamente.

Com emissão anual de 11,5 mil megatoneladas de CO2 anuais, a China lidera a lista dos poluidores. EUA e União Europeia, somados, totalizam 8,4 mil megatoneladas.

Xi Jinping já prometeu que os chineses deixarão de investir em matrizes energéticas fósseis nos próximos anos, fazendo com que os R$ 12,8 bilhões anuais gastos pela China desde 2008 com esses projetos sejam redirecionados para fontes renováveis de energia.

Essa mudança de diretriz, sozinha, não resolverá os problemas da China, mas a promessa do Brasil em acabar com o desmatamento até 2029 e o mercado brasileiro de carbono podem ser parte da saída.

Empresários brasileiros com bom diálogo junto com os setores público e privado da China afirmaram ao Bastidor que essa "espécie de simbiose" se encaixa perfeitamente em uma das diretrizes do último plano quinquenal do país: reciprocidade nas relações internacionais. O Brasil ganha com a venda desses créditos e a preservação ambiental enquanto a China alcança suas metas e reforça sua força geopolítica na América Latina.

O Brasil deu mostras na própria COP26 de que o foco do país será em canalizar investimentos para lucrar com preservação ambiental. Apesar da ausência de Jair Bolsonaro, seus ministros apresentaram o programa Floresta+, que traz diretrizes para pagamentos por serviços ambientais.

Tereza Cristina, da Agricultura, afirmou no evento realizado em Glasgow, na Escócia, que o Brasil irá disseminar tecnologias de baixa de emissão de carbono a 72 milhões de hectares agrícolas até 2030.  A mensagem foi reforçada por Carlos França, que defendeu a sustentabilidade como política agrícola brasileira.

Só que a busca do governo bolsonaro é por lucro, não preservação, como resumiu o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite: "onde há muita floresta há muita pobreza".

Levantamento da WayCarbon com a ICC Brasil mostrou que o Brasil pode gerar de US$ 493 milhões a US$ 100 bilhões em crédito de carbono até 2030. Parte desses valores, afirmam as consultorias, viriam do setor agropecuário, que tem potencial, de acordo com o levantamento, de gerar de 10 a 90 milhões de créditos (baseados em toneladas de emissão), que valeriam até US$ 9 bilhões num cenário otimista.

Mas, como mostra a discrepância da estimativa, o mercado de carbono no país ainda engatinha. A Câmara tem discutido um projeto do vice-presidente da Casa, o amazonense Marcelo Ramos, que regula essas transferências, permitindo a venda desses "títulos" entre atores públicos privados - as vendas entre empresas não passam por regulação, são vendidas no mercado livre - a ideia tem apoio da CNI.

Outro flanco brasileiro que a China quer explorar para créditos de carbono é o saneamento. Já há conversas superficiais entre empresários brasileiros e chineses por conta do potencial criado a partir do Marco do Saneamento, aprovado neste ano pelo Congresso.

O setor, pouco relacionado ao mercado de carbono por muitos, é visto pelos profissionais da área como uma oportunidade devido ao contexto. O Brasil tem muito o que melhorar tanto em tratamento quanto em coleta de esgoto, o que abriria caminho para investimentos chineses que resultariam nos créditos de carbono.

Lobistas ligados ao saneamento disseram ao Bastidor que o vice-presidente da Câmara, inclusive, já conversa com representantes chineses e pretende se reunir com alguns deles em Barcelona, no próximo dia 16, durante o Smart City Expo World Congress, para discutir inovação e como o mercado de carbono que está sendo modelado no Brasil irá se inserir nesses novos modelos.

A entrada de Sergio Moro na disputa presidencial com dois dígitos nas pesquisas de intenção de voto preocupou pedetistas, que passaram a pressionar o presidente da legenda, Carlos Lupi, a formar uma aliança com o ex-presidente Lula.

Leia Mais

A principal avaliação do ex-governador Geraldo Alckmin para definir onde se filiar é se terá alianças que lhe garanta uma candidatura competitiva ao governo do estado de São Paulo.

Leia Mais

Ao lado de Arthur Lira, o presidente do Senado disse ao tribunal ser impossível identificar quais parlamentares patrocinaram cada uma das emendas RP9, que compõem o orçamento secreto. 

Leia Mais

Futuro presidente do União Brasil, resultado da fusão entre o PSL e o DEM, Luciano Bivar informou a ACM Neto e ao ex-ministro Luiz Henrique Mandetta seu desejo de disputar a Presidente da República pelo novo partido.

Leia Mais

Fernando Collor escapou do STF. A corte não terminou de julgar hoje as ações sobre o marco do saneamento e o caso em que o senador é acusado de receber propina para influenciar decisões da BR Distribuidora será julgado em data ainda indefinida.

Leia Mais

A 2ª Turma do STF pode decidir na próxima terça-feira (30) o destino da investigação do MPRJ contra Flávio Bolsonaro no caso das rachadinhas em seu gabinete quando estava na Alerj. A decisão sobre o caso no colegiado já foi adiada duas vezes: uma por Gilmar Mendes e outra por Kassio Nunes Marques.

Leia Mais

Um deputado da base aliada notou a diferença de tratamento dado nessa semana ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Leia Mais

A fé de Kassab

25/11/2021 às 15:31

Gilberto Kassab tem um ritual diário: garantir a interlocutores políticos que é real e genuína sua fé na candidatura de Rodrigo Pacheco à Presidência.

Leia Mais

A pré-candidatura de Simone Tebet à Presidência da República é um movimento dos chefes do MDB para fortalecer o partido nas negociações eleitorais de 2022.

Leia Mais

O TCU exigiu ontem (24) que União, governo de Mato Grosso e prefeitura de Cuiabá a se entendam em até 60 dias e decidam o destino do VLT (prometido para a Copa de 2014) que ligaria o aeroporto internacional, em Várzea Grande, à capital do estado. A obra iniciada em 2012 está parada há quase 7 anos sem previsão de solução.

Leia Mais

Arthur Lira e Rodrigo Pacheco voltaram a um nível de entendido desde a semana passada: o de que é preciso preservar ocultos os nomes de parlamentares beneficiados com as emendas secretas, as chamadas RP9.

Leia Mais

O julgamento das ações que discutem trechos do Marco Legal do Saneamento começa efetivamente, como a leitura do voto do relator, Luiz Fux. Fontes do setor privado ouvidas pelo Bastidor esperam uma vitória "de lavada" no STF.

Leia Mais

Empresários brasileiros não se preocupam com a proeminência cada vez maior que Xi Jinping tem tido no Partido Comunista Chinês. Fontes ligadas tanto ao setor privado brasileiro quanto ao governo chinês disseram ao Bastidor que a prioridade do empresariado é reforçar os laços comerciais.

Leia Mais

A determinação de Arthur Lira para aprovar brevemente a PEC que aumenta a idade de 65 para 70 anos a idade máxima de nomeação de juízes e ministros dos tribunais superiores é fruto de uma articulação para barrar o nome de André Mendonça.

Leia Mais

Frederick Wassef e o senador Flávio comemoram - houve até festa em estilo havaiano - desde o fim de semana: cumpriu-se a profecia do conselheiro da família Bolsonaro.

Leia Mais